César de Alencar

César de Alencar

Por Patrícia Rodrigues

Esta canção
nasceu pra quem
quiser cantar.
Canta você, cantamos nós
até cansar.
É só bater, depois voltar
pra recordar
vou repetir este refrão,
bate outra vez, até cansar
este programa pertence a vocês…

Assim começava um dos programas de auditório de maior sucesso da era de ouro do rádio. O animador era César de Alencar, grande ídolo do rádio. Considerado um dos melhores apresentadores do Brasil, César de Alencar foi o responsável pelo lançamento de muitos artistas.

Hermelino César de Alencar Mattos nasceu em 06 de junho de 1917, em Fortaleza-CE. Iniciou sua carreira radiofônica em 1939, na Rádio Club do Brasil.

Só vim a pensar em meu ingresso no rádio quando, certo dia, ouvindo uma transmissão esportiva, julguei que poderia suplantar o “speaker” que irradiava o jogo. Assim, não tive dúvidas. Procurei a Rádio Clube do Brasil e dentro de pouco tempo, eu trabalhava na veterana emissora, como auxiliar de locutor esportivo. Era o comentarista dos jogos e o encarregado da publicidade – contou César de Alencar à Revista do Rádio em 1948.

A estreia na Rádio Clube foi como locutor comercial em uma transmissão esportiva. O diretor artístico da emissora, Renato Murce, narrou o jogo e nos intervalos, César de Alencar leu os anúncios publicitários. A atuação de César agradou e ele foi escalado para outros jogos. Até que um dia, um dos locutores da emissora faltou e o contra-regra sugeriu que ele fizesse o programa. César recebeu muitos elogios e finalmente foi contratado pela emissora. Com apenas um ano e dois meses de rádio, segundo a revista Carioca, César de Alencar chegou a speaker-chefe da Rádio Clube do Brasil, onde permaneceu até 1945.

Saí da Rádio Clube do Brasil porque o meu amigo Renato Murce, que era diretor artístico da A-3, havia deixado aquele prefixo, transferindo-se para a E-8. Como a Nacional precisava de um locutor, acompanhei-o.

Em junho de 1945, assinou contrato com a Rádio Nacional. Sua voz passou a ser ouvida em vários programas: “Um milhão de melodias”, “Papel Carbono”, “Piadas do Manduca”. Foi narrador de “Nas asas de um clipper”, o José, da novela “Fecha a porta do destino” e o Ricardo de “Uma sombra em minha vida”.

A grande oportunidade surgiu quando Paulo Gracindo saiu da Nacional e foi para a Rádio Tupi. César de Alencar recebeu ordens da direção para substituí-lo. Ele aceitou o desafio e batizou o programa com seu nome: Programa César de Alencar.

O programa ia ao ar aos sábados, das 15 às 19 horas. Foi um sucesso e logo tornou-se o programa de auditório de maior popularidade e prestígio da emissora. O ingresso era o mais concorrido. A fila na porta da emissora começava de madrugada. O público lotava o auditório.

Emilinha Borba e César de Alencar

Todos os artistas que passaram pela Rádio Nacional participaram do programa. Porém, a estrela principal do Programa César de Alencar era a cantora Emilinha Borba. Artistas internacionais como Pedro Vargas, Lucho Gatica, Gregório Barrios e Josephine Baker, vinham ao Brasil para se apresentar no programa.

Em junho de 1955, quando o Programa César de Alencar completou 10 anos, uma grande festa foi realizada no Maracanãzinho. Mais de 20 mil pessoas lotaram as arquibancadas. Foi o maior público que já compareceu a um programa de rádio. O evento contou com duas orquestras e a participação de Nelson Gonçalves, Trio de Ouro, João Dias, Francisco Carlos, Ester de Abreu, Heleninha Costa, Carmen Costa, Neyde Fraga, Elza Laranjeira, Inezita Barroso, Angela Maria, Lúcio Alves, Jorge Goulart, Nora Ney, Zezé Gonzaga e Emilinha Borba, entre outros.

César de Alencar foi também compositor. Teve músicas gravadas por Cauby Peixoto, Francisco Carlos e Nora Ney. Em 1948, fez sua estreia como cantor. Gravou em dueto com a cantora Marlene a marcha “Casadinhos”, de Luís Bittencourt e Tuiú. No ano seguinte, gravou com Emilinha Borba “Cabide de molambo”, dos mesmos autores. A discografia de César de Alencar possui mais de 40 gravações.

O Programa César de Alencar foi campeão de correspondências na Rádio Nacional

A popularidade de César de Alencar durou até o ano de 1964, quando, durante a Revolução de 1964, foi acusado de denunciar como comunistas vários colegas de emissora.

Na década de 60, César de Alencar foi para a TV. Seu programa passou pelas emissoras Record e Excelsior de São Paulo, TV Itapoã, de Salvador, e TV Rio.

Em 1977, voltou à Rádio Nacional apresentando o “Programa do César” e alguns anos depois, o “Domingolão”. Exerceu a função de assistente da Superintendência da Radiobrás, empresa criada em 1976 para administrar as emissoras do governo.

César de Alencar faleceu em 14 de janeiro de 1990, aos 72 anos de idade. Cerca de 100 pessoas acompanharam o enterro no Cemitério São João Batista, que segundo os jornais, foi marcado pela emoção dos fãs e dos artistas que cantaram as músicas que caracterizaram o Programa César de Alencar.

 

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